Reitor da UFF determina abertura de sindicância para apurar trote polêmico
Por: O GLOBO
RIO - O reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Roberto Salles, determinou que a direção da Faculdade de Direito abra uma sindicância para investigar a denúncia de uma caloura do curso sobre agressão durante o trote , na última quinta-feira. Em nota publicada no domingo, no site da instituição, a universidade afirma que repudia a ação violenta dos veteranos, que teriam tentado obrigar a jovem a fazer sexo oral em troca de se livrar da obrigação de recolher dinheiro nas ruas. ( Leia a íntegra da nota )
"A UFF repele os trotes que geram constrangimento, violência e discriminação, assim como os que obrigam os alunos a se humilharem para arrecadar dinheiro nas ruas. O reitor determinou que a direção da Faculdade de Direito abra uma comissão de sindicância para apuração dos fatos denunciados na imprensa, e garante que, apontados os culpados, os responsáveis serão punidos exemplarmente", diz a nota.
Ainda de acordo com o comunicado oficial, há oito anos a universidade criou o Projeto Trote Cultural, que teria sido adotado pela maioria dos Diretórios Acadêmicos.
"Entretanto, alguns grupos de estudantes insistem em praticar atividades que causam constrangimento e que são indignas da real posição da Reitoria da UFF em relação ao recebimento de seus novos alunos".
Por ser considerada bonita, enquanto outras eram "barangas", uma caloura do curso de direito foi levada, na última quinta-feira, para uma sala onde deveria fazer sexo oral em cerca de oito veteranos e, assim, se livrar da obrigação de recolher nas ruas, como é de praxe, a cota de R$ 250 exigida dos novatos nos primeiros dias de aula. A vítima - que conseguiu escapar do assédio, mas ficou muito abalada emocionalmente - não formalizou a queixa, temendo passar por mais humilhações e constrangimentos.
Segundo o pró-reitor adjunto de Assuntos Acadêmicos da UFF, Renato Crespo, a estudante contou que as calouras mais bonitas eram levadas para um lugar reservado da faculdade pelos veteranos. Ali, eram informadas de que tinham duas opções: fazer sexo oral neles e ser promovida à condição de veterana ou beijá-los na boca. No caso do beijo, a cota de R$ 250 seria reduzida.O caso foi revelado na sexta-feira pela coluna de Ancelmo Gois no GLOBO. Um parente da vítima disse que ela ligou chorando ainda dentro da universidade.
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